Ar-condicionado: como acertar na compra e na instalação em casa

Os arquitetos Cris Paola, Karina Korn e Renato Andrade revelam dicas para a escolha certa do equipamento e contam como integrá-lo na decoração

O verão ainda não chegou e dá tempo de pensar no ar-condicionado para deixar os ambientes bem agradáveis nos dias mais quentes do ano. O principal benefício de se ter um aparelho é a climatização de forma regular dos espaços. Num primeiro momento pode parecer bobagem, mas não é! Em escritórios, a climatização é uma forte aliada da produtividade. Enquanto isso, na arquitetura, é capaz de dar conforto ambiental quando bem pensada. Incrementar elementos da arquitetura bioclimática auxilia nas decisões do projeto do ambiente, pois considera as questões relacionadas ao lugar, às intempéries e ao clima. Apesar de sua inegável utilidade, esse assunto é cercado por mitos. Os escritórios de arquitetura Andrade & Mello Arquitetura, Karina Korn Arquitetura e Studio Cris Paola respondem questões para desvendá-los e ajudar na decisão por instalar ou não o ar-condicionado em casa.

Projeto do Andrade & Mello Arquitetura, com o equipamento inserido no nicho da marcenaria | Foto: Luís Gomes

Como escolher o aparelho ideal?

Essa definição exige um projeto específico da moradia. “Em casas e apartamentos, um bom início é escolher uma loja idônea, recomendada por amigos e vistoriada após uma visita, que contará com técnicos habilitados”, recomenda o arquiteto Renato Andrade, da Andrade & Mello Arquitetura. Em seguida, vale considerar o dimensionamento e as condições de uso do ambiente. Saber o tamanho do espaço em que o aparelho será instalado, além do número de pessoas que ficam no local são fatores essenciais. Você vai precisar saber o que é BTU, sigla em inglês para Unidade Térmica Britânica. Quanto maior esse dado, mais potente será o equipamento. Um profissional gabaritado ajudará no cálculo correto, mas para saber quantos BTUs deve ter o ar-condicionado deve-se saber a metragem (m²) do ambiente. Exemplo: para uma sala de 20 m², multiplique por 650 (BTU). Some mais 800 para cada pessoa que costuma estar no ambiente e mais 600 para cada eletrônico presente na área.

  

Neste apartamento duplex, assinado pela arquiteta Karina Korn, o living integrado ganhou uma máquina de ar-condicionado na sala de estar e outra no jantar. Ali, o aparelho integra uma composição com nichos. | Foto Edu Pozella 

Entenda a diferença entre os modelos

Os mais comercializados no Brasil são os splits do tipo High Wall, formados por duas partes: a condensadora, instalada na área externa da casa, e a evaporadora, colocada no ambiente que será climatizado. Esse modelo dispõe de muitos recursos tecnológicos, como conexão wi-fi e etc. Caso o desejo seja refrescar vários cômodos, convém eleger o multisplit. Ele usa somente uma condensadora e tem todos os recursos dos splits. No entanto, caso a construção tenha restrição arquitetônica ou possua um espaço reservado na parede, convém eleger o equipamento de janela. Essa alternativa tem a vantagem de ser fácil de instalar, além do menor custo de instalação. Outra alternativa é o cassete. Ele é sugerido para quem necessita climatizar áreas maiores e quer um item mais discreto, sem interferir na decoração.

Projeto Andrade & Mello. O ar-condicionado foi instalado no quarto de 22 m². | Foto Luis Gomes

É verdade que o ar condicionado gasta muita energia?

Sim e não. Segundo a arquiteta Cris Paola, do Studio Cris Paola, atualmente as novas tecnologias, voltadas para a sustentabilidade, resultam no desenvolvimento de equipamentos econômicos. “Também há formas de melhorar esse consumo. Instalar a condensadora em um local com boa circulação de ar e manter os ambientes com temperatura entre 22º C a 24ºC ajuda a não exigir o start de insuflamento da máquina o tempo inteiro”, explica Cris Paola.

Uma dessas tecnologias, de acordo com Renato Andrade, é a Inverter. Os fabricantes afirmam que os equipamentos que a possuem controlam o fluxo de energia do sistema por meio de um compressor que não chega a ser desligado completamente, o que evita picos de energia. Assim, diz-se que reduz o consumo em até 60%. Os cuidados de manutenção com o equipamento também cumprem papel fundamental na economia, mantendo-o em bom funcionamento. A arquiteta Karina Korn, do escritório Karina Korn Arquitetura, ressalta a necessidade de limpá-lo, assim como seus filtros.

O que usar em espaços compactos?

Segundo o arquiteto Renato Andrade, a regra é ter bom-senso e equilíbrio. “Equipamentos como splits Hi-Wall, aqueles mais convencionais, os Split Window, uma versão mais contemporânea dos equipamentos mais antigos, ou Multi Split, que é quando se utiliza uma condensadora para mais de uma evaporadora, são os mais apropriados”, recomenda o sócio de Erika Mello.

Projeto do Studio Cris Paola. O equipamento fica no centro do ambiente, distribuindo assim o ar para toda a área social integrada. | Foto: Hamilton Penna

 

Projeto sob medida

Não pense que infraestruturas e equipamentos prejudicam a decoração. “O ar-condicionado pode ser integrado à decoração de várias maneiras. A mais simples é colocá-lo em uma parede de mesmo tom, evitando o peso de um contraste. A evaporadora também pode compor o espaço dentro de um nicho em uma estante de marcenaria. Você assume o equipamento no ambiente de um jeito bacana”, afirma Karina. Mas se a ideia é buscar alternativas para esconder tudo, outra possibilidade é criar uma espécie de nicho para a evaporadora. A porta, neste caso, precisa ser vazada ou ripada a fim de permitir a passagem do ar frio e a captura do ar quente. Há até projetos que lançam mão de envelopar a evaporadora para camuflá-la na parede.

Cuidados essenciais com a manutenção

A atenção com o ar-condicionado, além da limpeza periódica dos filtros, não faz bem apenas para a saúde do produto e dos moradores, como evita gastos futuros. Limpos com frequência, os filtros não vão acumular sujeira, o que pode obstruir a saída de ar e exigir mais energia para que ele funcione.

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